domingo, 18 de setembro de 2011

Tem gente... com fome!


TEM GENTE COM FOME
Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Piiiiii
Estação de Caxias
de novo a dizer
de novo a correr
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso
Carlos Chagas
Triagem, Mauá
trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Tantas caras tristes
querendo chegar
em algum destino
em algum lugar

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Só nas estações
quando vai parando
lentamente começa a dizer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer

Mas o freio de ar
todo autoritário
manda o trem calar
Psiuuuuuuuuuuu


(Solano Trindade)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Música Afrobrasileira


Mãe África

(Clara Nunes)

No sertão, mãe que me criou
Leite seu nunca me serviu
Preta Bá foi que amamentou
Filho meu, filho do meu filho


No sertão, mãe preta me ensinou
Tudo aqui nós que construiu
Filho meu, tu tem sangue Nagô
Como tem todo esse Brasil


Lelê ô lelê ô lelê ô lalá
Lelê ô lelê ô lelê ô lalá
Lelê ô lelê ô lelê ô lalá
Lelê ô lelê ô lelê ô lalá


Oiê, dos meus irmãos de Angola África
Oiê, do tempo do quilombo África
Oiê, pra Moçambique-Congo África
Oiê, para a nação bangu África


Pelo bastão de Xangô
E o caxangá de Oxalá
Filho Brasil pede a bênção Mãe África
Pelo bastão de Xangô
E o caxangá de Oxalá
Filho Brasil pede a bênção Mãe África

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Visite:


Hereros Angola - Fotografias de Sérgio Guerra


De 14/09 a 23/10, de terça a domingo, das 09h às 18h30, Museu Nacional 

Angola traz à capital federal 110 fotos em tamanhos diversos (incluindo plotagens em grandes dimensões), resultado de criteriosa seleção dentre um universo de mais de 30.000 imagens colhidas nas províncias do Namibe e Cunene. A mostra revela um amplo painel da vida, das atividades e dos costumes dos povos Hereros, que vivem espalhados entre Angola, Namíbia e Botsuana, e são compostos por diversos grupos: Mukubais, Muhimbas, Muhakaonas, Mudimbas, etc. A exposição reúne, ainda, roupas, adereços, utensílios diversos e um documentário sobre essa etnia. Um dos destaques mais charmosos da exposição é a holografia Vikuit 3M, onde uma mulher da etnia Muhakaona recepciona e apresenta a mostra ao público.

Entrada franca. Classificação indicativa: livre. Informações: 33255220 / 6234

domingo, 4 de setembro de 2011

Os Munduruku



Os Munduruku

( Formigas Gigantes )

Conta a história do Brasil que os Munduruku
formavam um povo muito poderoso e guerreiro. 
Sua fama de caçadores de cabeça corria por todo o estado 
do Pará e do Mato Grosso.

O ruído que faziam com os pés quando saíam em grupo para espedições de caça e pesca, ou para a guerra, conferiu-lhes o apelido de "formigas grandes" (tradução da palavra "munduruku"), que fazia tremer os inimigos, que saíam em desabalada carreira para fugir.

Eram tambem conhecidos como "caras-pretas", pois tinham o costume de tatuar as faces de preto. Sua valentia era tamanha que participaram de várias revoltas populares no Estado do Pará e chegaram mesmo a ter cidades inteiras sob seu domínio.

É claro que as autoridades não gostavam disso e mandavam tropas militares para impedir os avanços dos Munduruku. Netas batalhas os "Caras-Pretas" quase sempre saíam vitoriosos, pois conheciam melhor a região.

Assim, os donos do poder continuaram a enviar tropas cada ves mais numerosas, e numa dessas batalhas os Munduruku finalmente acabaram vencidos.

Depois disso foram "pacificados"pelos "brancos" e se renderam aos encantos do mundo não indígena. Corria o século XVll quando esses índios foram vistos pela primeira vez...



quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Árvore do Esquecimento



Banzo



Ó árvore do esquecimento;
Símbolo de todo o meu tormento.
Por que nascestes à beira mar?
Por que nascestes?
Cruzei os mares sem te ver, meu Benin;
Fui arrancado do teu colo, minha mãe-terra;
Quiseram roubar-me as lembranças de ti,
Violentaram meu corpo e minha dignidade,
Mas minha alma e meu coração estão intactos?
Deixei-os aí.
Só tocaram o que podiam ver;
O que não podiam, permaneceu puro.
Quantas vezes quis te reencontrar, chão pátrio;
Terra dos meus ancestrais, lar dos meus pais,
Para aonde retorno todas as noites
quando o corpo descansa.
Em breve estarei aí;
Em breve sentirei os cheiros da África;
Em breve reencontrarei
o meu coração e a minha alma;


O meu espírito fugirá para aí.
Despeço-me do corpo sofrido, nesta noite.
Vou romper com a dor de existir distante da vida.
Quero banhar-me nos teus rios, meu Benin;
Quero ver o sorriso do meu povo.
Estou decidido a ser eternamente livre.
Já posso ver teus braços abertos
à minha espera...
A viagem mais desejada, enfim, se inicia.
Parto feliz de volta ao lar;
De volta à vida;
Corro pro teu colo,
Pro teu abraço.
Corro para as minhas lembranças.
Corro pra ti, Benin.


 (Cleber Menezes)


CLEBER WILLAM ANTUNES DE MENEZES: Professor e bacharel em História (UERJ), pós-graduado em História Contemporânea (UFF). Leciona na rede pública estadual (RJ) e municipal (Cabo Frio) e na rede privada. 


         Conta-se que havia no Benin uma árvore, próxima do local de embarque dos negros que, a partir de então, seriam escravizados, chamada "árvore do esquecimento". Antes do embarque, cada escravo era obrigado a dar 9 voltas (homem) e 7 voltas (mulher), ao redor dessa árvore. Foi a partir dessa imagem que nasceu esse poema.
        
         O título, "Banzo", é uma referência ao estado da alma, marcado por um sentimento de entristecimento tão profundo, que levava alguns negros à morte. A personagem do poema opta por voltar ao Benin, ainda que só espiritualmente. Por isso, se lança num banzo sem volta.

“A ciência é como o tronco de um baobá, que uma única pessoa não pode abraçar.”
(Provérbio Africano)